sexta-feira, 13 de outubro de 2006

Vícios

É difícil pegar no arado dos valores e lavrar a terra da consciência, de modo que se renovem pensamentos, atitudes e floresçam ideais.
Tratar essa terra abstracta, de forma que a qualidade das colheitas seja cada vez mais apurada, é uma tarefa que exige introspecção e sair um pouco da superficialidade, é o virar o rosto para dentro e ver quem somos e o que podemos melhorar, que influência temos nos outros, que sensações e sentimentos produzimos neles com a nossa presença, etc.
Nem todos temos tempo para este falso luxo, os horários de trabalho, os compromissos, os filhos, as preocupações com despesas e dívidas, deixam-nos pouco tempo livre para que a cabeça se auto-ordene. Se juntarmos a tudo isto os horários televisivos nobres, inteligentemente carregados com uma nova espécie de droga bem estudada e elaborada para ter um efeito de viciação colectiva, então e por fim, só nos resta rir e ter pena de nós próprios, porque as vinte e quatro horas do dia já não chegam.
Qual introspecção qual quê! Até a leitura e o diálogo familiar, são sem dó nem piedade substituídos por exemplo, pela discussão entre ver o futebol ou a telenovela.
Por vezes chego a pensar, que o que realmente nos salva um pouco desta sopa de ofertas perversas é o trabalho.
Felizardos aqueles que conseguem ter algum tempo livre, pois quem não tem tempo para si próprio, para se conhecer a si mesmo, já não sabe quem é, perdeu a identidade.

1 Comentários:

Blogger Lambda disse...

Cabe a cada um de nos inventar qualidade no pouco tempo q temos :)

02:09  

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